A prática de atividade física é benéfica durante a gestação. Especialistas indicam os exercícios ideais para essa fase especial da vida.
O corpo de uma mulher grávida é uma máquina especialmente sofisticada. Durante os nove meses de gestação, a mulher terá de aumentar sua capacidade cardiorrespiratória, lidar com uma carga elevada do hormônio progesterona, adaptar seu centro de equilíbrio e sua coluna vertebral ao crescimento do feto, do útero e da barriga que vai surgindo e preparar-se para o momento do parto. A tudo isso se soma a ansiedade com a chegada do bebê, principalmente nas mães de primeira viagem. Por todas essas razões, médicos e estudiosos da área de obstetrícia recomendam, cada vez mais, a prática de atividades físicas durante a gravidez. Desde que seja feito com acompanhamento médico, e dentro dos limites estabelecidos pelo obstetra, o exercício ajuda a lidar com essas mudanças e a vivenciar a gravidez com mais prazer e leveza – tanto para a mãe quanto para o bebê que vai nascer. “Hoje, sabe-se que a atividade física bem orientada diminui as complicações obstétricas, ajuda a prevenir o diabetes gestacional e a hipertensão arterial, evita problemas como dores lombares e inchaços, reduz o risco de parto prematuro e pode contribuir para um trabalho de parto mais rápido e tranqüilo”, explica Marco Antonio Borges Lopes, professor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e médico do setor de Medicina Fetal do Fleury.
Os benefícios citados por Lopes são conseqüência da melhoria da capacidade cardiorrespiratória trazida pela atividade física, que deixa coração, pulmões e sistema circulatório mais preparados para a sobrecarga física natural da gravidez. O exercício contribui ainda para o aproveitamento da glicose pelo corpo – o que reduz a possibilidade do diabetes – e estimula a circulação sangüínea, diminuindo a chance de inchaços. Também reforça musculaturas importantes para a grávida, como a abdominal, fundamental para ajudar a expulsar o bebê na hora do parto, e a lombar, que fica sobrecarregada pelo peso da barriga e, se não for trabalhada, pode causar dores nas costas.
Lopes esclarece que, além de ser feita sob orientação médica, a atividade física deve ser evitada em casos de gestação múltipla, sangramentos, pressão alta (hipertensão) ou anemia importante – e em outras situações que o obstetra avaliar. Fora isso, dado o sinal verde do médico, a futura mãe deve aproveitar os benefícios de se movimentar. Obstetra e médico-líder do setor de Medicina Fetal do Fleury, David Pares enumera mais um ponto positivo – e fundamental – do exercício físico: o relaxamento. “A grávida deve buscar, em primeiro lugar, uma sensação de bem-estar”, diz ele.
Pares explica que é importante ter em mente que o objetivo principal da atividade física para gestantes não é manter o peso ou a boa forma. “O exercício até pode ajudar a grávida a controlar melhor o ganho de peso durante a gestação, mas não deve ser praticado com o objetivo único de não engordar”. Há ainda outra situação a ser observada: os hábitos de atividade física da mulher antes de engravidar. “Mulheres que já praticavam exercícios podem continuar, desde que numa intensidade mais baixa”, esclarece Renato Romani, coordenador de Atividade Física do Programa de Atividade Física e Promoção de Saúde do Fleury. “Mas aquelas que eram sedentárias devem começar com exercícios mais leves, de baixo impacto”.Para Romani, quando se trata de grávidas, o melhor é trabalhar com uma margem de segurança e evitar riscos desnecessários. “Gravidez não combina com exagero”.
Recomenda-se que, a partir do sétimo ou oitavo mês de gestação, a mulher pare qualquer atividade física”. Nessa altura, afirma Romani, a barriga já está muito grande, o que impede uma série de movimentos e deixa a grávida cansada demais para agüentar um esforço extra. Nesse momento, chegou a hora de aguardar com tranqüilidade a chegada do bebê.
Bom para mãe e filho
Saiba quais práticas esportivas são mais recomendadas:
IOGA: Em sua versão mais leve (o que exclui a prática da power ioga), esta atividade melhora o condicionamento cardiorrespiratório, aumenta a flexibilidade muscular e ajuda a grávida a manter uma postura adequada e confortável ao longo da gestação. É também uma prática recomendada por seu poder de relaxar a musculatura e ativar a circulação, o que ajuda a evitar inchaços. Há, porém, uma restrição: devem ser evitados exercícios de força abdominal e movimentos de extensão do tronco, que podem estimular contrações.
HIDROGINÁSTICA: Por ser feita dentro d’água, reduz o impacto e permite à grávida trabalhar músculos e realizar movimentos que ela não conseguiria fazer fora d’água. A atividade aumenta a flexibilidade, a força e a resistência dos músculos do abdômen, das pernas, dos braços e da região dorsal (no caso deste último grupo muscular, ajuda a reduzir as dores lombares).
CAMINHADA: Melhora a capacidade cardiovascular, ajudando a grávida a agüentar a natural sobrecarga que ocorre durante esse período no coração, na respiração e na circulação. A caminhada também trabalha a musculatura das pernas, estimulando o retorno sangüíneo e reduzindo a possibilidade de inchaço nos pés. Para mulheres que eram sedentárias antes de engravidar, recomenda-se começar com caminhadas de 15 minutos, três vezes por semana; para as que já eram ativas, recomendam-se no máximo 30 minutos – sempre, é claro, em ritmo leve.
PILATES: Além de ser uma atividade relaxante, que estimula o bem-estar da gestante, o Pilates trabalha musculaturas que serão importantes durante a fase de expulsão do feto – isso ajudará a mãe a ter um parto mais rápido e tranqüilo – e contribui para uma recuperação mais eficiente no pós-parto. Como não utiliza a capacidade anaeróbica da mulher (aquela que exige grande esforço respiratório), a prática não apresenta riscos de estimular contrações indesejadas.
Qualquer exercício deve ser feito com orientação do obstetra e interrompido caso a grávida apresente sangramento, tontura, falta de ar, perda ou ganho excessivo de peso e em outras situações indicadas pelo médico. Nos últimos dois meses de gestação, recomenda-se a suspensão de qualquer atividade.